- Bom dia.
Fiquei assustada. Não esperava acordar e encontrar justamente ele, ainda mais depois do que aconteceu ontem.
Seus olhos verdes estavam brilhando, não importava o que acontecia, estavam sempre brilhando. Brilhando, mas tristes. Não era algo muito incomum aqui no distrito 12, as pessoas sempre estavam seguindo com suas vidas monótnoas e com o mesmo olhar que Gale está fazendo para mim agora mesmo.
-Bom dia -respondi- Não esperava encontrar com você aqui tão cedo.
-Tive que vir, depois do que aconteceu ontem fiquei confuso.
-Não vejo porque.
-Você sabe muito bem porque. Katniss, somos amigos há muito tempo, e eu não esperava mais do que isso, mas, aquele beijo...
Ele parou. Parecia que estava querendo repensar o que havia dito. Teria feito algo de mal? Decidi falar por ele:
-Aquele beijo foi apenas parte de um momento de desespero. Desculpe se dei a entender algo a mais.
Idiota! Por que eu disse aquilo? Sou mesmo cruel. Ás vezes penso que a única pessoa que não consigo magoar é Prim. Também, não haveria como. A sua doçura e ingenuidade tornam impossível que eu a machuque.
Levantei a cabeça novamente e olhei para Gale, normalmente ele não demonstra fraqueza, está sempre tentando ficar forte, mas parece que aquelas palavras foram demais.
-Parte de um desespero? Quer dizer que eu sou apenas um consolo para você. -ele respirou forte- Quer saber? Peeta tem muita sorte de ter você, parece que você é capaz de tudo para mostrar aos outros quem você realmente ama. Um amigo... eu nunca vou deixar de ser apenas isso pra você.
-Gale espere!
Ele se levantou e saiu pela porta batendo-a logo ao sair. Ele estava com raiva? ou triste? Poderia 2 sentimentos ocupar um mesmo espaço? Acho que no caso de Gale sim.
Fui tomar banho, me preparar para um longo dia.
Depois de trocar minha roupa, fui à cozinha, e lá estavam minha querida irmã Prim e minha mãe.
-Bom dia Katniss. Disse minha mãe, mesmo sem olhar diretamente nos meus olhos, estava muito ocupada lavando uns pratos.
-Bom dia. Você viu o Gale saindo?
Prim respondeu antes mesmo que minha mãe pensasse na resposta.
-Ele saiu muito rápido, não falou nada comigo ou com a mamãe. Parecia estar chateado. Foi alguma coisa que você disse?
-Não...
Um enorme Sim percorria o meu corpo. Querendo sair pela minha garganta. Mas eu o prendi, não queria falar sobre esse assunto com ninguém. Era algo particular.
-Peeta já veio aqui hoje? Perguntei.
-Sim, ele veio trazer alguns pães e ainda uma torta que segundo ele, fez especialmente para você. Estão em cima do balcão. Vá ver.
Caminhei até uma cesta muito bonita, com um pano bordado cobrindo-a, afastando-a das moscas que rondavam o distrito 12.
Abri, e lá estavam os pães como de costume e uma torta coberta de glacê com alguns toques de creme de laranja. Acho que a torta era de chocolate, pois é o meu sabor favorito, e Peeta sabia disso, ele estava sempre querendo me agradar.
Junto com a torta estava um pequeno bilhete amarelo, e escrito estava:
Para a garota em chamas.
Me encontre no morro da Cegonha hoje de tarde.
PS: Você vai adorar a torta, fiz do seu sabor favorito.
O que ele queria falar comigo? Tudo o que eu não queria fazer hoje era falar com Peeta. Estava um pouco confusa, assim como Gale. Aquele beijo não era parte de um desespero realmente, como eu havia dito.
Havia sido algo mais verdadeiro. Todos sabem que eu amo Peeta. Todos sabem disso...mas eu não tenho tanta certeza.

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