Lembranças...é impressionante como elas vão e vem rapidamente. Eu me lembro que no passado eu e Gale estávamos aqui neste campo gramado, conversando sobre nossos futuros. Gale dizia que se eu quisesse, ele juntaria nossas famílias e poderíamos sair por aí, além do distrito 12. Viver como fugitivos. Confesso que gosto de aventuras, já vivi muitas nas minhas caçadas com Gale, mas não sou aventureira a esse ponto. Acho que não conseguiria viver fugindo da capital. Vi do que ela é capaz no ano passado. Só o fato dos Jogos Vorazes acontecerem todos os anos já é o suficiente para saber que o presidente Snow é um homem frio e sem coração.
Agora, estou aqui com Gale, correndo por esse campo gramado. Correndo atrás de respostas. Correndo para saber por que minha irmã foi sorteada para participar da 75ª edição dos Jogos Vorazes.
-Katniss, você está bem?
Acho que ainda estava meio aturdida, bêbada. Porque Gale me pergutava isso de 2 em 2 minutos.
-Já disse que estou. Com quem vamos falar?
-Vamos na casa da Greasy Sae, ela me contou sobre tudo.
-Onde está Peeta?
Gale parou.
-Não sei. -ele respondeu com raiva- Por que você não vai procurar ele? Aproveita, e pergunta o que ele está achando da ideia de Prim ser o tributo feminino. Com certeza ele só vai te consolar.
Gale tem razão. Foi ele quem procurou saber de tudo, não Peeta.
-Desculpa. Esqueça o que eu falei, sou uma idiota.
Voltamos a correr em direção à casa de Greasy Sae, e enfim chegamos. Se eu chegasse aqui na frente de sua casa há 20 anos atrás, aposto que estaria do mesmo jeito. Sae não gostava muito de reformas.
Bati na porta. A aflição estava aumentando. Seria tudo aquilo verdade? Ou era apenas uma brincadeira? Não, Gale não mentia para mim, ainda mais numa situação como essa, ele não era irônico. Irônico...
Ouvi uma voz ao fundo.
-Katniss?
-Somos nós Greasy, Gale e eu!
A porta se abriu.
-Vamos, entrem logo.
Ela parecia apressada. O que estava acontecendo?
-Gale me contou que o pote feminino da colheita estava com os papéis trocados, apenas com o nome de Prim.
-Sim. Mandei que ele lhe contasse. Sentem-se por favor.
Gale pegou uma cadeira para mim e nós nos sentamos.
- Como você sabe, trabalhando no Prego eu me relaciono com todos os tipos de pessoas. E, ontem eu vi um homem meio estranho chegando, ele vestia uma capa preta e um gorro. Não dava para eu ver seu rosto. Ficou sentando numa mesa esperando alguém.
Greasy falava muito rápido. Gale e eu prestávamos atenção em cada palavra que saía de sua boca.
-Até que chegou outro homem e se sentou com ele. Trocaram envelopes. Até que eu ouvi o primeiro dizendo já está tudo pronto. Já conversei com os guardas do palácio e nada vai atrapalhar.
Olhei para a sua mão, e ele estava segurando um saco cheio de papéis. O homem continuou:
-Já tenho aqui os papéis com o nome da menina, a irmã da vitoriosa.
-Qual o nome?
-Primrose.
Eu acredito em Greasy, sempre acreditei. Mas esta história... é difícil de compreender. Até parece que estamos falando de bandidos que traficam morfináceo.
-Achei muito suspeito Katniss. Por isso vim falar com Gale. Não acho que Prim tenha tanta má sorte. Deus não é tão impiedoso.
-Concordo com você Sae. Obrigada por tudo.
Ela continuava agitada e naquele momento estava mais ainda.
-Agora, saiam daqui. Ninguém pode suspeitar que vocês dois estiveram aqui. Os dois homens me viram ontem no Prego e podem pensar coisas.
-Tudo bem, obrigada mais uma vez. Vamos Gale, temos que ir até o palácio da justiça.
Ela nos conduziu até a saída e nos viu sair de sua casa. Ficou na porta nos olhando, como se fôssemos duas crianças, brincando na rua. Ela nos olhava...
Olhei para trás...não sei porque, talvez instinto, para saber se ela ainda estava nos olhando.
Mas aí eu vi. Vi quando uma flecha atravessava o coração da velha vendedora do Prego.
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